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Dicas de Viagem

postado dia 10/03/2016

Pedalando pela Toscana

Depois de pedalar pela Provença em 2009 (post anterior “Pedalando pela Provença"), não via a hora de repetir a dose no ano seguinte.

A princípio a idéia era ir para França de novo, mas com o casamento de uma amiga para ir na Itália em setembro de 2010, as coisas começaram a tomar um novo rumo.
O casamento seria num sábado, e os roteiros de bike sempre começavam nesse dia. Seria impossível chegar em qualquer lugar da França depois do casamento em tempo hábil de pegar o início de qualquer um dos tours. E esperar uma semana para o próximo tour também era inviável.
Conversando com Pete, o guia que nos acompanhou na Provença em 2009, ele sugeriu de eu então fazer um dos roteiros da Itália, que a empresa deles também oferecia. Coincidentemente, teria um da Toscana iniciando no mesmo sábado do casamento.

Apesar de já estar na Itália, seria meio corrido ir de Rimini para Florença naquele sábado do casamento. Foi aí que Bernard, o dono da empresa, sugeriu que eu aproveitasse tranquilamente o casamento que ele arranjaria para que eu só começasse o tour a partir do segundo dia em Panzano. Perfeito!!!
Só fiquei um pouco chateado por não ter Pete guiando nosso grupo na Toscana, depois daquela semana inesquecível na Provença. Na mesma época ele estaria guiando os grupos na França.
Com tudo acertado, passei novamente para a etapa de ir atrás de passagens de avião e trem. Ou melhor, só de avião, pois as de trem Bernard se encarregaria de me enviar pelo correio algumas delas.
O casamento seria em Cesenatico, na região de Emilia-Romana, praticamente ao lado de Rimini,balneário para onde se mudou uma outra grande amiga depois de casar com um italiano. Como eu nunca havia ido visitá-los, acabei indo uns dias antes para ficar com eles.
Nesse momento me lembrei do “drama" que foram meus últimos dias em Paris, após o bucólico roteiro da Provença, e decidi que iria aproveitar Rimini e arredores ao máximo antes de ir para a Toscana, e voltar o mais rápido possível no final do tour.

Sendo assim, marquei um vôo para Milão, de onde pegaria um trem para Rimini. No dia seguinte ao casamento pegaria um trem para Arezzo, onde um transfer estaria me esperando para me levar a Panzano, local do segundo pernoite do tour de bike pela Toscana. No final do tour, no sábado seguinte, ficaria somente uma noite em Florença para então pegar um trem direto a Milão e finalmente pegar meu vôo de volta para o Brasil.
Embarquei para Itália numa terça-feira 31 de agosto, chegando em Milão no dia seguinte no começo da tarde.
Um transfer me esperava no desembarque para me levar até a estação de trem no centro de Milão (30 minutos de carro, sem trânsito). A passagem de trem para Rimini comprei facilmente na hora, numa máquina automática (dica que tinha lido em um guia de Rick Steves), e por volta das 3 da tarde peguei o trem para Rimini. Após uma conexão em Bolonha, cheguei em Rimini no final da tarde, onde minha amiga Daniela me esperava na estação de trem.Foram 4 dias curtido Rimini e seus arredores até o dia do casamento em Cesenatico, que ficava a 20 minutos de Rimini. Ali já rodei bastante de bicicleta, pois esse é um meio de transporte bastante popular no balneário.
No sábado passamos o dia em função do casamento que foi no começo da tarde e se estendendo pelo resto do dia no Grand Cesenatico Hotel de frente para o mar. No dia seguinte, no começo da tarde, peguei o trem para Arezzo, novamente via Bolonha. Por volta das 5 da tarde cheguei em Arezzo onde o transfer me esperava para levar até o hotel em Panzano, onde o grupo já devia estar me esperando, depois de pedalar o dia todo, vindos de San
Gimignano.
Depois de quase uma hora de viagem de carro por belas e tortuosas estradas, chegamos a Villa Le Barone em Panzano, sem dúvida um dos pontos altos desse tour no que diz respeito à hospedagem.
O hotel, situado num prédio histórico na região de Chianti, tem vistas maravilhosas de perder o fôlego, para campos de oliveiras e vinhedos.
Me esperando estava Guido, um alemão que seria o guia daquela semana. Após me passar alguns detalhes do dia de pedalada deles, comentou que tinha um amigo meu me esperando. "Como assim?", pensei eu. ”Um amigo?” “Aqui?” Devido ao cancelamento de um grupo na França, Pete estava lá, para pedalar durante toda semana conosco, como um “co-guia”. Eu não acreditei. Mais um ponto para Bernard que guardou essa surpresa até o último minuto. Depois de encontrar Pete, fui para a piscina onde o resto do grupo estava: Mariela e Frank (EUA), Martin and Juliet (Inglaterra), Keith (Inglaterra) e Janet (Canadá). Ao todo seríamos 9 pedalando naquela semana.
O jantar foi no próprio hotel, em um pátio ao ar livre. E ali começou a “orgia gastronômica” que se repetiria durante toda a semana. Tivemos uma mesa de antepastos seguida de escolha de mais 2 pratos e sobremesa. Optei por uma massa e um rosbife com molho de cenoura, terminando com um sorbet de laranja. Na manhã seguinte, após o café, colocamos nossas malas no carro para despachar para o próximo hotel em Vagliagli, e nos reunimos em volta do mapa para Guido nos passar a rota do dia.
Atenção especial foi dada a minha bike, pois todos os outros já tinham tido suas bike reguladas no dia anterior em San Gimignano.Partimos por volta da 10 em direção à Greve in Chianti onde visitamos a vila e fizemos uma degustação de vinho. Voltamos e passamos pela centro de Panzano e paramos numa pracinha onde improvisamos um picnic com coisas compradas num mercadinho em Greve e umas pizzas. Seguimos à tarde para Radda in Chianti onde paramos para um café.O hotel Casalli della Aiola, em Vagliagli, era bem mais simples…literalmente mais “tosco”, mas com muito conforto. Ele ficava na frente de um mosteiro, que foi onde jantamos naquela noite. Cada prato do jantar era harmonizado com um vinho diferente. E foi onde pela primeira vez tomei o famoso “vino santo”, vinho mais adocicado que se bebe depois do jantar, normalmente acompanhado dos “biscotti”, aqueles biscoitinhos italianos de amêndoa. Terminamos a noite no bar - só nosso - do hotel, onde ficamos jogando conversa fora até tarde.
Aqui faço um parênteses sobre o termo “tosco”: Nessa viagem deu pra entender o real sentido dessa palavra, pois a arquitetura da Toscana lembra muito a da Provença, porém ela é sutilmente mais rústica…tosca…literalmente.
Nosso destino no dia seguinte era Siena. Apesar de pouco sol e terminarmos mais cedo, foi um dia bem puxado, com muita subida e estradas de terra.
Passamos pela cidade fortificada de Monteriggioni onde almoçamos num pequeno restaurante. Chegamos em Siena no começo da tarde e depois de instalados no hotel e de banho tomado,seguimos para o centro a pé.
Pete, Keith e eu demos uma circulada pela cidade, uma espiada na Duomo, a catedral medieval de Siena, e terminamos num café para umas cervejas antes do jantar. De lá fomos para o restaurante combinado para mais um jantar “daqueles”. O dono do restaurante, com um inglês acima da média para os padrões italianos, sugeriu diferentes vinhos
para acompanhar cada prato que escolhemos. Tanto na França como aqui, é de praxe beber o vinho da região mais próxima possível. Para eles não há sentido em beber vinhos de outras regiões. No final foram umas 7 ou 8 garrafas de vinho - o que dá quase uma garrafa para cada um - e chegamos ao requinte de comparar duas safras diferentes do mesmo vinho.
No dia seguinte, antes de seguir para Asciano, passamos pelo centro de Siena para comprar uns mapas, pois os que Guido tinha estavam faltando uns trechos por onde passaríamos naquele dia. Com os mapas na mão, fizemos o “morning briefing” no chão em frente a Duomo mesmo. Uma
cena bastante inusitada, com turistas passando e locais dando palpites.
De lá seguimos viagem passando por vários campos, plantações e muitas estradas de terra. A paisagem estava um pouco árida devido à época do ano.
No meio da manhã paramos num pequeno restaurante em Corsano para um café e quando chegamos a Monteroni d'Arbia para o almoço, desabou uma daquelas “chuvas de verão”. Foi um timing perfeito pois a chuva durou exatamente o tempo do nosso almoço.
Se comparados com a Provença, os trechos pedalados na Toscana são menores, porém com mais subidas (algumas intermináveis) e o calor é mais cruel. Chegamos em Asciano por volta das 4 da tarde e uma vez instalados, fomos para a piscina do hotel de onde se tinha uma bela vista da vila.
O jantar desse dia foi uma surpresa. No início tudo normal: "antipasto"" e “primo prati" bem tradicionais como nos últimos dias. Porém o prato principal eram várias travessas com frango, porco e carne grelhados, uma salada verde temperada e batatas fritas….tudo servido na mesa como no Brasil, para você mesmo se servir. Uma comida bem caseira, e segundo Guido, bem típica da Toscana. Até tentamos achar um bar para uma “saideira”, mas impossível num lugar como Asciano, mais uma vila no meio do nada na Toscana. Próximo destino: Montalcino.
Até a abadia de Monte Oliveto Maggiore, tudo tranquilo com muitas descidas. Almoçamos logo em seguida num restaurante na simpática vila de Buonconvento. Dali em diante foi bem puxado. A subida até Montalcino parecia que não acabava mais. Mesmo não sendo tão inclinada, eram quilômetros de curvas intermináveis. Nem meu pneu aguentou e furou quando já estávamos quase chegando na cidade.
Chegando no hotel, fomos direto para a piscina, que tinha uma vista alucinante, e antes do jantar marcamos de nos encontrar para uma degustação de Brunellos (safras 2003, 2005 e 2008, para os entendidos) no próprio hotel, todos devidamente “decantados”.
Depois do jantar num restaurante do outro lado da cidade, fomos até um café no centrinho, que por sinal estava “agitado" com apresentação de música clássica. Pete, Martin, Guido e eu ainda
fomos a outro bar para uns últimos drinks antes de voltar para o hotel. Com o final da viagem se aproximando, queríamos estender ao máximo cada instante. E finalmente chegamos ao último dia, onde terminaríamos em Montepuciano.
O dia amanheceu espetacular e a vista do café da manhã estava deslumbrante, uma vez que o hotel se localiza em uma das encostas de Montalcino, debruçado sobre a paisagem. Saímos no horário de sempre para o dia que prometia ser um dos mais difíceis, conhecido como o
dia do “Guido's Challenge”. Tínhamos 2 opções de roteiros…um mais fácil e outro mais difícil.
Obviamente escolhemos o mais fácil que de fácil, não tinha nada. Como paramos no Mosteiro de Sant’Anna in Camprena, quando chegamos para almoçar em Pienza, já eram quase 2 da tarde.
Saímos de Pienza depois das 4 e chegamos em Montepuciano no final da tarde. Na última subida já começou a bater aquela tristeza, pois eram os últimos quilômetros de mais uma jornada inesquecível.
Banho tomado, Pete e eu saímos para uma volta pela cidade. O por do sol deixava a cidade com uma coloração amarelada toda especial. Cada canto que se olhava, dava vontade de tirar uma foto. Na emoção de final da viagem, tudo parece cena de filme. Algumas cervejas depois, nos juntamos com o resto do grupo para uma última degustação de vinhos da região e o último jantar num restaurante ao lado do hotel.
No jantar, Martin fez um pequeno discurso de agradecimento em nome de todos e depois voltamos para o hotel para ver um resumo das aproximadas 1.760 fotos que tinha feito durante a semana.
Pete e Keith já se despediram de todos no jantar, pois tomariam um taxi na madrugada do dia seguinte para pegarem seus vôos em Pisa. Pete guiaria um grupo pela Dordonha na França a partir daquele sábado. Mas ainda sobrou tempo para Pete, Guido e eu fazermos uma despedida num bar em
Montepuciano.
Na manhã seguinte, Mariela, Frank, Janet, Martin, Juliet e eu seguimos num transfer para Florença onde chegamos no final da manhã. De lá, Martin e Juliet seguiram para Pisa. Aproveitei o sábado à tarde e o domingo de manhã em Florença para visitar a cidade e alguns de seus museus.
Apesar de encontrar meus “novos amigos de infância” Frank e Mariela para jantar, aquelas últimas horas em Florença pareciam não ter mais fim. O tradicional efeito “‘pós pedal” se abateu sobre mim novamente, porém com menos força, graças a companhia de Frank e Mariela. Depois do
jantar ainda fomos tomar uma última garrafa de vinho no meu hotel, onde nos despedimos prometendo nos encontrar em outro tour de bike.
Depois de dar mais umas voltas por Florença no domingo de manhã, peguei um trem de volta a Milão, onde meu transfer me aguardava para me levar para o aeroporto e então pegar meu vôo de volta para o Brasil.
Agora só me restava planejar a próxima…

Roberto Peixoto, 49 anos, é arquiteto de Florianópolis, e desde 2009 vai todos os anos pedalar
na Europa, contabilizando 9 roteiros até 2015. Reencontrou Mariela e Frank em 2013 em um
roteiro pela região de La Rioja na Espanha, e em 2015, na Provença, ambos guiados por Pete
McGee.

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