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Dicas de Viagem

postado dia 28/04/2016

Viagens da Maria - São Petersburgo - Russia

3. São Petersburgo, Rússia -  9 a 14 de setembro de 2015

Só agora, nesta longa espera no aeroporto de Paris, antes de embarcar para o Brasil, consigo me forçar a escrever sobre a estadia em São Petersburgo.  Acho que a resistência a fazer o registro se deve à pouca vontade de deixar aquela cidade.  Que me encanta, preciso dizer?

Tivemos sorte com o tempo.  Temperaturas amenas e sol o tempo todo, exceto ontem, o último dia, nublado e lembrando, em parte, nossa outra visita a São Petersburgo, 23 anos atrás.    Naquela vez viemos numa excursão armada na Inglaterra, onde estávamos  vivendo desde fevereiro, e foi no começo de Dezembro.  Não vimos o sol, mas vimos muita neve e a cidade quase vazia de turistas, provavelmente por que era 1992, o regime soviético tinha há pouco caído, a vida da população não havia mudado muito e só uns malucos, como nós e a turma de ingleses em que nos enganchamos, achava graça naquilo tudo.  Naquela época, já nos maravilhamos, meu marido e eu, com esta cidade.  O rio Neva (que eles pronunciam com um acento no a) estava totalmente congelado, vimos o Báltico congelado – uma foto perene na memória – e curtimos os 3 graus negativos por 5 dias. 

Desta vez, outra estação do ano, outro país, outra cidade.  A quantidade de pessoas na rua, a quantidade de grupos de chineses, coreanos, europeus de várias origens e até um grupo de brasileiros que se hospedava em nosso hotel, tornaram as visitas um pouco mais estressantes e competitivas mas, ainda assim, emocionantes. 

O museu de etnografia e etnologia que visitamos, a conselho do nosso amigo Mario, teria sido excelente, não fosse a falta de “legendas” em outra língua que não fosse o russo. Ainda assim, foi bom.   Alias, um problema que persiste aqui, para o turista, é este.  Apesar do metrô ter o nome das estações também em inglês, não há um mapa da cidade em que as linhas de metrô se sobreponham e, assim, te orientem sobre qual estação está aonde. Nas ruas principais, as placas com seus nomes tem grafia no nosso alfabeto também, o que é bom.  Porém, os mapas que nos forneceram, tanto no aeroporto quanto no hotel quanto no ônibus hop on-hop off (que finalmente tomamos no último dia que estava nublado) tem a maioria dos nomes grafados em cirílico e pouco em inglês.  As vezes, por serem letras muito pequenas, estão ilegíveis.  Na internet, a mesma coisa.  E, nos museus, os funcionários não só não falam uma palavra de outra língua como parecem ser um resquício da ineficiente burocracia soviética.  Não te respondem,  quando falam contigo é em russo, claro, mas com uma expressão corporal e facial que diz “não enche meu saco” ou coisa pior.  Como as instruções tampouco estão em inglês, em alguns casos, até que aches o guichê correspondente à tua necessidade (como nós que tínhamos vouchers para Tsarkoe Selo e precisávamos trocá-los pelas entradas) já passaste por uns quatro funcionários que por pouco não te escorraçaram para fora do local.  Não faz sentido, sendo que o lugar tira seu sustento do turismo vindo de todo o lugar.

Em contrapartida, nas lojas e no nosso hotel, todos foram muito gentis.  O hotel (Crown Plaza) foi excelente em serviço, o que nos salvou de vários problemas como a volta dos dois espetáculos que havíamos agendado:  O Lago dos Cisnes, no teatro do Hermitage, e um show de danças folclóricas (que sabíamos ser coisa pra turista mas resolvemos encarar).  Com o pessoal do hotel garantimos o taxi que nos esperou na porta, na saída, por um preço fixo, pago através do hotel. 

E já que mencionei metrô, sabíamos que havia muitas estações lindas, feitas na era soviética, quando a concepção do governo vigente era que a arte devia estar ao alcance e ao “uso” da população.  E, na viagem anterior, havíamos visitado as estações em Moscou somente.  Então convenci meu marido a tentar o metrô.  Ele resistiu bastante mas, num dia em que saímos a caminhar e  caminhamos muito, topou voltar de metrô.  Conseguimos dois gentis funcionários e consegui entender que eles nos perguntavam a que rua queríamos ir e eu respondi – Livovski Prospekt -  e então nos disseram para pegar a linha verde e trocar para a laranja depois de duas estações e descer na próxima.  Tudo com sinais e o mapa do metro na nossa frente.  Muito simpáticos.  E esta foi nossa primeira aventura em russo e cirílico ... mas apesar de toda a simpatia dos nossos anfitriões nos perdemos por que achamos que estávamos indo numa direção e .... bem, quando saímos da estação de chegada e esperávamos encontrar uma paisagem conhecida,  estávamos sem saber onde.  Eu sou mais aventureira do que meu marido e queria voltar ao metrô e tentar de novo.  Mas ele se recusou e decidiu que pegaríamos um taxi.  Diante desta experiência, que nem contemplou uma estação daquelas famosas, ele desistiu totalmente da alternativa, para meu desconsolo.  

E sobre taxis, temos uma outra historinha (ainda no capítulo das “roubadas”:  cansados de tanto caminhar, outro dia, resolvemos, contra todos os conselhos dos sites sobre viagem à Russia que lemos, pegar um taxi na rua.  Como aconselhado, perguntamos o preço da corrida até o hotel, mas não obedecemos ao conselho de só entrar no taxi quando o preço fosse fixado e nós concordássemos.  Quando o motorista disse:  taxímetro, o cansaço embotou nossa sabedoria e  já tínhamos rodado algumas quadras quando inspecionei o painel do carro e perguntei para meu marido (sentado ao lado do motorista) onde estava o taxímetro.  E ele perguntou pro motorista e este mostrou um aparelho tipo celular que estava meio escondido atrás do guidon. Aí tivemos certeza da fria em  que tínhamos entrado.  Efetivamente, cobrou o dobro do preço que o taxi do hotel (pré agendado)  tinha cobrado por uma distância semelhante.  E o truque é que ele já parte com o “taxímetro” – se é que é um taxímetro – marcando lá em cima....  Ah!  O metrô! 

Volto aos museus.  Fomos também ao museu da Defesa e do Cerco de S.P. sobre o qual tínhamos muita curiosidade.  O Cerco refere-se ao episódio da II Guerra Mundial, aos 900 dias em que a cidade ficou cercada pelo exército nazista que, depois de vários bombardeios, resolveu matá-la de fome.  Este museu é excepcional e há guia em áudio-fone em inglês, o que foi muito útil.  Ainda assim, todos os letreiros, que contam detalhes sobre os objetos expostos e, principalmente, sobre os mapas que mostram a estratégia de resistência e, finalmente, o corajoso rompimento do Cerco, estão somente na língua nativa. Mas é impressionante, em todos os aspectos.  E valeu as quase 3 horas que ficamos lá dentro, as pernas cansadas e a frustração de não ler russo não chegou a empanar a sensação que a formidável resistência daquela gente deixa em ti.

O outro museu foi Tsarkoe-Selo – a aldeia dos czares.   Nossa curiosidade sobre este lugar foi uma das motivações de nossa ida a S.P.  O congresso de meu marido em Kiel, relativamente próximo,  colocou a pulga atrás de nossa orelha e começamos, no ano passado, a ler, com avidez, bastante sobre historia russa pré-revolução de 17,  história sobre a qual sabíamos muito pouco.  E uma das coisas que nos impressionou, nesta história, além do descompasso entre o fausto da corte e a pobreza e  a miséria da população, foi o processo de construção da nação.  A aldeia dos czares, um lugar magnífico, com vários palácios para o descanso dos coitados, foi também onde Nicolau II e sua família estiveram presos por quase um ano, antes do assassinato.  Além disto, a história mesma da construção da “aldeia” está relacionada com a política dos czares no desenvolvimento do país e na própria queda da monarquia.  Então visitamos o palácio principal – os outros estão em reforma -  que Catarina II ( a Grande) reformou pela penúltima  vez,  bem como os jardins.    Impressionou-me mais do que Versailles

Esta foi nossa única visita a palácios . Não voltamos a Peterhof, o palácio de verão, que visitamos no inverno de 1992.  Passeamos pela praça em frente ao Hermitage e teríamos entrado, mas não entramos por falta total de tempo.  Há algo mais de impactante nestes palácios:   ver as fotos do que restou deles depois do bombardeio nazista e do Cerco:  escombros.  Foram pilhados.  Em alguns casos, premeditadamente pelos comandantes que levaram as obras de arte e outras  coisas valiosas.  Mas também pela turba que viu oportunidade no que sobrou.  Mais impactante, ainda, é ver os palácios totalmente reconstruídos e com a maior parte do mobiliário e obras de arte, porcelanas, ouros e pratas, retornados aos lugares.  Isto foi feito durante o regime soviético e  é perturbador pensar no custo destas obras em épocas que não foram as melhores, econômica, social e politicamente para o povo russo.  A Igreja do Sangue Derramado, por exemplo, um edifício lindíssimo à beira do rio( erigida no lugar onde o Czar Alexandre II foi assassinado por um grupo terrorista da corrente populista dos já ativos revolucionários em 1881), tem algo ao redor de 100 kg de ouro só cobrindo as cúpulas.  O palácio de Catarina, na aldeia, outro tanto.  A Catedral de São Isaac tem, se não me engano, mais de 500 kg na cúpula.  E a igreja da Fortaleza de São Pedro e São Paulo, onde estão sepultados os czares (inclusive Nicolau e parte da sua família) , tem uma torre em ponta que deve ter mais o mesmo tanto, fora o altar que compete com a de S.Francisco em Salvador, Bahia.  Parece-me um absurdo!  Por outro lado, todos estes prédios são documentos de uma história riquíssima – como história e, de alguma forma, hoje foram resgatados como valores da identidade russa.  Aliás, a maior parte dos turistas que encontramos nestes lugares (lotados) eram russos ou das antigas repúblicas soviéticas.  Muitas crianças e jovens!  Talvez por isto não haja preocupação em colocar letreiros em outra língua nos museus...Lembrou-me meu marido, lendo estas mal traçadas, que nestes últimos 20 anos os Russos tiveram e estão tendo a oportunidade de conhecer sua história, expurgada que estava, nos anos Soviéticos,  das realizações do império.

Um parêntese sobre a família de Nicolau II.  Só agora os restos mortais de duas pessoas da família – não lembro se o filho e a filha mais velha – foram liberados pela pericia forense e o sepultamento deles está programado para outubro. Lemos num jornalzinho em inglês que o hotel distribuía. Nos sepulcros dos outros da família é onde se aglomeram os turistas e ali há sempre flores frescas, buquês trazidos pelos visitantes.  Interessante. (os corpos foram achados em 1998).

O outro museu que visitamos é uma construção em troncos de arvore, rudimentar e pequena, talvez com uns 20m,  totalmente recoberta por uma outra casa de tijolos que a protege da intempérie e do passar do tempo.  É a cabana, construída em três dias, onde se alojou Pedro, o Grande, quando veio para ver o lugar onde construiria a cidade, logo depois da vitória contra a Suécia, uma guerra sangrenta.  Ali está também guardado o barco que ele mesmo construiu – tinha aprendido carpintaria quando morou na Holanda – e com o qual atravessava o Neva para decidir com seus urbanistas as localizações dos prédios de governo, etc.  Ele, enquanto viveu, não permitiu a construção de pontes sobre o rio.  Adorava a água e achava ponte uma violação do espaço do rio.  Só depois de sua morte é que foi construída a primeira ponte de S.P.  Hoje há muitas e algumas -  o rio tem um bom calado – são levadiças e  abrem todos os dias, à meia noite, para a passagem de barcos grandes.  Ouvimos a história de que estas são o terror dos maridos que frequentam festas e se esquecem da hora...só podem voltar na manhã seguinte, com sérias consequências...

Mas, o melhor documento sobre a grandeza de S.Petersburgo se vê andando pelas ruas da cidade antiga.  TODOS os prédios, que não excedem 5 andares, são espetaculares.  Além dos palácios e palacetes da aristocracia e da incipiente burguesia da época em que a cidade começou a ser construída, no século 18, há os prédios de apartamentos, já erigidos no final daquele século, pelos detentores dos terrenos na avenida Nevski, até hoje o centro nevrálgico da cidade.  Os donos dos prédios – enormes - viviam do aluguel, já que era caríssimo, para a maioria dos que tinham algumas posses, ter uma propriedade mas era possível pagar aluguel num lugar de destaque!  À noite, todos os edifícios são iluminados e é indescritível.  Nas bordas das serpentes que são o Rio Neva, o outro rio que não lembro o nome e os canais menores,   a “parede” de prédios continua.  E esta arquitetura, que mistura o clássico, o barroco russo, alguma art nouveau  e outros que talvez não sejam bem um estilo mas impactam, dão à cidade um caráter, uma postura, uma imponência e, ao mesmo tempo, te abraçam.  Um pouco como Paris.  Mas num outro diapasão:  mais grave, mais profundo, com uma densidade de uma matéria diferente que não sei explicitar.   Pensar que o desenho urbano foi concebido quando isto era um conjunto de ilhas pantanosas, recém conquistadas por Pedro, o Grande, à Suécia...  as avenidas largas, o local dos grandes prédios, a importância de canalizar o rio e os canais e aterrar boa parte das ilhas que inundavam com certa facilidade!  Claro que havia muita mão de obra disponível (!) mas a tecnologia...pá e enxada... 1760, mais ou menos. Em todo o caso, como planejamento urbano, impecavelmente belo.  Pedro quis que a cidade fosse uma mescla de Paris, Veneza e Amsterdam...e conseguiu algo novo e maravilhoso.

Para mim, a emoção maior se fez de novo, na praça Dvortsovaya, aquela que fica entre o Hermitage e o edifício em semicírculo que era o lugar dos escritórios do reino.   Nesta praça, em 1905, enquanto o czar habitava o palácio, camponeses e outros trabalhadores foram metralhados pelo seu exército, ao fazerem um protesto.  Ali dentro do Hermitage,  doze anos depois, estava Kerenski quando, do outro lado do Rio, na Fortaleza de S.Pedro e S.Paulo, três tiros de canhão anunciaram a revolução bolchevique, junto com um tiro de canhão do navio Aurora, e Kerenski foi preso.  E o mundo mudou.  Lembro que, em 1992, quando estávamos em Moscou, a visita ao túmulo de Lenin não estava no programa.  Mas eu achei um absurdo ir ao Kremlin e não ver o cara que, afinal, foi um dos cabeças desta revolução que teve impacto sobre todos nós durante a maior parte do século XX e insisti com a guia.  Ela, que estava até o pescoço com o sistema soviético, finalmente assentiu quando eu expliquei que não era fã do moço nem pró- soviética, mas que queria vê-lo pela importância que teve.  Para nosso azar, era segunda feira e o mausoléu estava fechado.  Grande frustração....  Desta vez, em S.P.,  caminhamos muito para chegar na praça  Dvortsovaya e eu me arrepiei mais uma vez, sem vergonha dos sentimentos, até a raiz dos cabelos.  Apesar do monte de gente que se aglomerava ao redor dos prédios e do obelisco que fica no quase centro da praça.  Em 92, não havia ninguém e a neve cobria tudo e lembro que tiveram que me chamar para entrar no ônibus por que fiquei hipnoticamente imobilizada naquele lugar.

O sol que brilhou desta vez acompanhou o grande movimento da cidade.  Não fossem os escritos em alfabeto cirílico,  e  as características urbanísticas e arquitetônicas, se só olhássemos para as pessoas, poderíamos estar em qualquer outra grande cidade do mundo.  Quero dizer com isto que as pessoas se vestem igual que no Brasil, na França ou na Inglaterra.  Punks também aparecem.  As moças estão pintando as unhas uma de cada cor.  As roupas na rua são coloridas e as vitrines mostram a moda de outono menos sisuda do que em Copenhagen.  Burger King  e McDonalds em cada esquina, assim como lojinhas de souvenir.  Na frente do nosso hotel dois prédios importantes:  a estação central da Estrada de Ferro, um monumento histórico,  e um moderníssimo shopping center.  Entramos nele em busca de um supermercado e nos deparamos com TODAS as marcas de roupas famosas, francesas, americanas, inglesas, alemãs, inúmeras lojas de roupa íntima feminina, um setor esportivo de fazer inveja a qualquer shopping que conheci.  Quando falo de famosas, falo de realmente famosas e caríssimas, tipo Gucci e Versace.  Tem as Tommy Hillfiger e Lacoste também....para a plebe, imagino!

Nossa maior frustração foi não poder conversar com as pessoas, com os nativos, aqueles que passaram pelas transformações do país nos últimos 20 anos.  Poucas pessoas podem entabular uma conversa em inglês.  No hotel, havia um concierge, i.e. uma pessoa na recepção cuja missão era ajudar os hóspedes com questões práticas como as que tínhamos (como chegar, como voltar, etc).  Eram jovens.  Com um deles, um rapaz fluentíssimo em inglês, conseguimos entabular uma conversa e fazer perguntas sobre o antes e o depois.  Ele começou dizendo que era melhor agora.  Perguntamos por que e perguntamos o que os pais dele achavam.  E todo o discurso dele foi baseado na facilidade do consumo atual.  Antes, disse ele, era preciso se inscrever numa lista para comprar uma televisão e esperar meses para recebê-la.  Roupas também.  E foi enumerando coisas.  Surpreendeu-me esta perspectiva consumista que não se referiu à escassez de comida e à dificuldade para adquiri-la (e em 92 vimos isto de perto).  Claro que é um jovem (23 anos talvez) e pode ter estado a dizer o que pensava que queríamos ouvir.  Enfim, a frustração permaneceu pois, apesar de termos aprendido o alfabeto cirílico e termos terminado nossos quase 5 dias completos capazes de ler nomes próprios nesta escrita, não conseguimos entender palavra do que as pessoas diziam.  E se vocês sabem algo do assunto saberão como se lê esta palavra, uma das poucas que posso escrever com as letras de que disponho neste teclado:  PECTOPAH.  Não?  Lê-se  RESTORAN  e, sim, é isto mesmo:  restaurante.  O que me leva a uma outra observação:  não é fácil encontrar restaurantes nas ruas de S.P.  Eles não tem aparência externa:  tem letreiros.  Demos sorte, um dia, que entramos num italiano por que conseguimos decifrar o nome ITALY e era muito bom.  Mas, como os taxis e as lojas de souvenires, tinha seus truques para tirar dinheiro de turistas trouxas:  meu marido pediu queijo parmesão para colocar no seu tagliatelli com molho de caranguejo (que estava ótimo).  Cobraram pelo queijo.  E na nota, lá no meio, vinha algo escrito (em cirílico, claro) e seguido de 10%.  No meio, notem bem.   Perguntamos:  eram os 10% do serviço, algo que nenhum outro lugar cobrou.  Posto ali no meio, sem chamar atenção dos menos avisados, não impediria que o freguês deixasse outros 10% sobre o total da conta que já incluía os 10%. 

Tentamos ir a um restaurante recomendado nos guias da internet:  Straganoff.  Dizia, no guia, que ficava no palácio do duque de Straganoff e que fora ali inventado, por uma emergência num banquete, o tal do strogonoff que agora se come a toda hora.  Mas não conseguimos encontrar o dito cujo.  Encontramos o palácio, lindo por fora e fica na Nevski, mas só funciona como museu.  Não entramos.  Estávamos mais interessados no folclore da comida.  E apesar de termos visto o aviso do Jamie’s Italian... não, não consideramos a possibilidade. Mas, devido as dificuldades, chegamos a entrar num Burger King, confesso, de onde saímos rapidamente só ao sentir o cheiro da assim chamada comida e ver as condições de higiene do local...

Um grande parêntese:  daqui ouço uma oração muçulmana cantada ao vivo por algum homem não muito longe do portão onde estamos esperando nosso voo.  Não vou me levantar para ver.  Não por ser muito discreta.  Mas por que estou deitada numa chaise longue e não quero perder meu lugar.  Pernas para cima são importante condição antes de 12 horas sentada na classe econômica!

Voltando às cobranças malandras:  aconteceu comigo.  Numa casa de souvenires perguntei o preço dos objetos que me interessavam e decidi comprar dois diferentes.  Nas etiquetas havia um preço em números e o código de barras.  Quando a caixa registrou o código de barras o preço marcado na máquina era simplesmente o dobro do que estava marcado em números.  Por sorte, eu vi.  E reclamei. E ganhei.  Acho que muita gente não vê!

LONGO INTERVALO

Retomo o relato já sentadinha na sala de nossa casa.  Chegamos ontem, já se passaram as 12 horas dentro do avião da Air France, mais as 4 de espera em Paris, depois das 3 entre São Petersburgo e Paris, depois de mais 50 minutos entre o outro S.P. e Floripa.  E já dormimos umas doze horas e já vivemos o dia de hoje com a sensação leve de fuso horário trocado, mas estamos levando.  Meu marido, inclusive, já deu aulas hoje à tarde (quarta feira, dia 16).  Um herói.

Continuo os comentários, de forma breve, espero (nunca sei o quanto vou escrever...)

S.P. está cheia de eventos artísticos.  Como bons turistas, escolhemos o já falado show de dança folclórica  que foi bom, mas não excepcional.  Ele é realizado no palácio do grão duque Nicolau Nicolaiev Romanov,  irmão de Alexandre III, eu acho (é uma árvore genealógica muito complicada...) o que, em si, já foi um espetáculo.  A escadaria que se sobe até o salão com palco  é umas três vezes aquela do “E o vento levou...” e as galerias deixam qualquer um de boca aberta.  A surpresa da noite foi que, no intervalo do show, nestas galerias são servidos canapês, champagne e refrigerantes, incluídos no preço do ingresso.  Nelas também se postam vários estandes vendedores de souvenires, claro. 

Escolhemos, também, ver o Lago dos Cisnes.  Vimos o Ballet de S.Petersburgo, que não é de primeira linha, mas tinha uma Odete/Odile maravilhosa.  O corpo de baile deixou bastante a desejar mas dois dos solistas masculinos eram muito bons. A coreografia era a original de Petipa e foi um espetáculo bonito. Valeu também por que foi no teatro do Hermitage, construído na quarta das adições ao palácio original.  Tem um ‘foyer’ lindíssimo e o teatro é pequeno, o palco também, mas muito bonito e interessante.  Não conseguimos descobrir se a estrutura da plateia é igual à original.  É uma espécie de anfiteatro, de todos os lugares se vê bem.  O problema foi entrar.  Não vendem lugares marcados.  É de quem chegar primeiro.  E fila é uma instituição que não vigora na Rússia.  Se você decidir ir a este ou outro espetáculo lá, que não venda lugar marcado, faça antes um estágio na Central do Brasil, R.J., às 6 da tarde, direção subúrbio.  Pois é na base do cotovelo que se ganha acesso aos assentos do aristocrático teatrinho... Penamos.  Na entrada do folclórico ballet foi ruim mas não tanto.  Afinal, a escadaria já definia diferentes velocidades de acesso...e espalhava o pessoal.  Mas em Tsarkoe-Selo, onde se passa por catraca e depois tem-se que colocar pantufas sobre os sapatos,  foi meio tumultuado. 

Malas prontas, na última manhã, meu marido resolveu ficar no hotel esperando a hora de irmos para o aeroporto, descansando com os pés pra cima.  Eu saí para bater perna.  Caminhei quase uma hora, só absorvendo o que podia da cidade, pelos olhos, pelo nariz, pelos poros. Saí pelas 9 da manhã, o comércio ainda fechado, ar muito fresco e sol brilhando. Delicioso.  Tudo lá começa às 10 horas.  E vai noite adentro.  No dia que chegamos, à ½ noite, o movimento de carros era intenso e com engarrafamentos e era uma quinta feira.  Todos os dias é assim.  Apesar do bom transporte público, muitos carros nas ruas.  Engarrafamentos muito frequentes.    As 9 da manhã, já muito movimento e, além das pessoas a pé, as calçadas ainda comportam bicicletas e skates, ambos usados por jovens.   Todos indo a algum lugar onde deveriam estar pelas 10 horas, hora do batente.

Às 10 e pouco estava de volta ao hotel e as 11 tomamos o taxi para o aeroporto.

Uma última observação:  achamos tudo, comida, taxi, supermercado, barato em S.Petersburgo.   Nosso hotel foi MUITO melhor do que os anteriores e não extraordinariamente mais caro.  Valeu cada rublo.  Mas, em geral, o turismo lá não é caro e há várias facilidades para turistas, neste campo.  Recomendo!

Um abraço da Maria e até a próxima viagem.

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